terça-feira, 9 de agosto de 2011
Maquiagem (?)
sábado, 2 de julho de 2011
Sobre a viadagem da UFRJ e outras idiotices
Acho que foi um desespero e indignação geral. Não tem um vestibulando que tenha realmente gostado das modificações acerca do processo de entrada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mais conhecida como FDP que resolveu de última hora apenas aceitar o ENEM.
E, claro, quem sofre é o estudante. Chega até ser meio cômico conversar isso com os adultos – pelos menos com aqueles que não sabem nem como é uma provinha pra entrar na faculdade. “Ah, mas isso é bom, não é? Não é tudo múltipla escolha?” Aham. E aí? É melhor porque é múltipla escolha, só por isso? É uma grande bosta que seja múltipla escolha. O ENEM nunca que vai avaliar por inteiro o conhecimento do aluno. Ele vai provar se ele sabe ou não fazer prova. Aliás, vamos lembrar como é o esquema... 180 questões, 90 em cada dia. Dois dias seguidos. No primeiro, quatro horas de prova. No segundo, são cinco, por conta da redação. E ainda vem me dizer que isso vai avaliar a qualidade do ensino? Tá, senta lá, Cláudia.
Além disso, ainda tem o problema dos pontos. Aparentemente, para tentar driblar o chute, cada opção tem um valor diferente. Ou será que a cada duas questões muito fáceis que o candidato erra, uma difícil é anulada? Nem eu mesma sei. E tenho certeza que muita gente também não sabe. Para pedir revisão da redação, é preciso entrar na Justiça. É, ENEM, cada dia melhor, né? O reitor da UFRJ deve ter fumado, só pode.
Ruim para o aluno, pior para a instituição... Já deu pra notar que muita gente vai conseguir pontos para ingressar em Medicina e nem metade dos candidatos terão condições de prosseguir o curso. Por quê? Falta de preparo, claro. O governo afirma que é uma decisão para “democratizar” mais a entrada nas universidades públicas, mas e a qualidade de ensino fundamental e médio? Muito fácil mudar o vestibular e continuar com a mesma merda que é a rede de escolas públicas. Medida imediatista que prejudica todo mundo e ninguém pode fazer nada. Porque, óbvio, passeata só faz cosquinha na imprensa. No governo, dá pra dar umas risadas e só.
Palmas para a decisão. É com orgulho que olhamos para o progresso da educação no Brasil: empurrando com a barriga se chega longe. Obrigada a todos pelo aumento no número das cotas e na confusão que vai ser nos próximos anos. Vagas remanescentes que não poderão ser preenchidas.
Parabéns, Política, mais uma vez estragando a vida da gente.
terça-feira, 15 de março de 2011
O Mundo Mágico de Escher
Sem dúvida, muitos artistas – contemporâneos ou não – não somente tiveram sua inspiração baseada em uma paisagem, visão ou objeto qualquer como também formularam conceitos para seus próprios trabalhos. A técnica utilizada por qualquer artista também deve ser levada em consideração, já que o resultado final dependerá de como o trabalho é feito, podendo completar a idéia daquele que o fez. Escher é um dos artistas que mescla inspiração, conceito e técnica numa visão de mundo que transparecem em suas polêmicas gravuras.
Maurits Cornelis Escher era holandês, embora tenha passado a maior parte de sua vida fora do país. Suas gravuras misturam o real com o imaginário, beirando o impossível. São imagens que impressionam pelo perfeccionismo e pelas ilusões que nos proporcionam. Escher utilizou muito da matemática, principalmente da geometria para confeccionar desenhos e rascunhos de vários trabalhos. Não é à toa que disse uma vez ter mais afinidade com matemáticos do que com outros colegas artistas.
Assim, é fácil estabelecer uma relação com o filósofo Pitágoras, muito conhecido pelo famoso Teorema de Pitágoras, aplicado principalmente na matemática. O filósofo desenvolveu a doutrina na qual o elemento básico que explica a harmonia do cosmo é o número (cosmo, no caso, a ordem da natureza, do mundo, do universo...). Escher baseou todo o seu mundo artístico em formas geométricas, como círculos, quadrados, triângulos, etc. Gravuras que davam a impressão de infinito tinham base em proporções matemáticas e, conseqüentemente, numéricas. Talvez a perfeição com que eram confeccionados seus trabalhos fez dele um artista mais bem sucedido, já que o real foi muito bem construído (através de uma ótima técnica) e desconstruído (através de ilusões) na medida em que levam todos aqueles que apreciam suas gravuras a entrar num mundo complexo, imaginário e impossível. Não por acaso, a história de “Alice no país das Maravilhas” assemelha-se ao conjunto de obras de Escher.
A abordagem do “infinito” ou de “ciclos” feitas pelo artista em trabalhos em que a imagem parece não ter fim, assim como o uso de círculos e esferas – figuras geométricas que não possuem um começo ou ponto de partida – relaciona-se diretamente com a matemática. A quantidade de números, formas e relações disponíveis na ciência do raciocínio lógico e abstrato levam ao mesmo conceito do ilimitado. Se completa aqui também a idéia de misturar na mesma folha de papel figuras bidimensionais e tridimensionais, uma maneira de brincar com o real e o irreal.
Para Escher, tudo é possível.
Depois de ir à exposição que está agora no CCBB, tive que fazer esse texto para a aula de filosofia... Achei pseudo-interessante o resultado. Para os cariocas que ainda não foram: vocês não irão se arrepender!
